domingo, 24 de maio de 2009

Sem Nome

Todos vivemos os nossos dias na crença de que existirá sempre o amanhã para remediarmos o mal que fizemos hoje, para completar aquilo que deixámos inacabado; para dizer as coisas que hoje achámos que não fazia sentido dizer. O amor que sentimos não deveria ser compatível com a ideia de ridículo que associamos à sua plena expressão. Não posso mais continuar sem te mostrar que te amo, e sei-o egoisticamente; assim que me sejas roubada, assim que feches os olhos pela última vez... Vou uivar de dor e chorar por todas as coisas que não te disse, por tudo aquilo que sou e vivo e que não partilho contigo. Mas eu não o quis assim, cresci sem saber quem era e como as minhas acções podem afectar o teu mundo. Sempre me vi como algo inerte, à parte do que é real e prático na vida, rodeado pela fina película de uma gigante bolha de sabão. E sair de dentro dessa bolha é o mais assustador.

Gosto de pensar que os anos me têm transformado numa pessoa mais prática e real. Tenho amigos? Consigo dizer abertamente que sim. Sou importante para eles? Tenho agora a tremenda ousadia (que nunca antes tive) de dizer que sim. Mas ser capaz de o afirmar não é o mais importante; o que realmente me deixa a alma em paz, me libera das abissais questões acerca do que sou, é saber que eles contam comigo em cada dia, que me procuram e não têm medo de me deixar entrar e ajudar o melhor que sei - e que pode até nem ser grande coisa, mas acreditem, não é nenhum frete. Não pude nunca ser amado de verdade porque não sabia que também tinha que amar, e muito menos como o fazer; no entanto cuidei que amar era instintivo, e, havendo a oportunidade, fingi que amava, pensando que era a valer.

Para terminar ficaria bem uma citação qualquer, mas que se foda isso. Nunca ninguém poderá dizer melhor que eu aquilo que tenho para dizer.

domingo, 17 de maio de 2009

Desencantamento

Todos temos que acordar um dia
Do torpor em que o amor nos conserva
Vivemos esquecidos de quem somos
Até que por fim o véu se eleva

Naquela vida que era a nossa
Fingíamos não conhecer a solidão
Éramos para o outro o refúgio absoluto
A felicidade sempre ao alcance da mão

Não fosse o sentimento ter quebrado
E o nosso conto teria prosseguido
As maravilhas de uma vida normal
De um futuro a dois prometido

Mas o Destino puxa com mais força
Corta os laços e destrói as pontes
Abraçamos e beijamo-nos uma última vez
E então Ele separa os nossos horizontes

Assim é com alguns escolhidos
Amam sabendo que cedo tudo passa
Vão em busca do prazer onde não há certeza
Até que a horripilante mentira estilhaça

Que será feito agora de nós
Que buscámos no amor a realização
Fomos postos de novo no mundo volátil
Onde as almas não alcançam o nosso coração

A realidade de que não se pode fugir
A tristeza que nos cerca, incontornável
Aproveitemos bem a vida, mas cientes
De que tudo o que buscamos é inalcançável.

domingo, 3 de maio de 2009

Birth

Birth. Unknowingly I came to this world. I cried for the first time, but it wasn't that the feeling of being alive had scared me; I just did what I was supposed to do, and that is how we live our lives, doing what we're supposed to do. I will not ask any questions because I don't feel particularly ill towards anybody or anything; there is no one to blame but myself, because blaming everyone else would be too tiresome and would make them not want to be friends with me. These friends, I found they might stay, and it was a relief to see things can actually turn that way, not having to lose everyone who has carried me at some point, people I have carried (I think). I feel like dreaming of a bright future, imagining those warm evenings with you guys, drinking and partying to our hearts' content, forgetting about all that isn't beautiful and lovable. Our lives won't be put to waste, our souls will not be lost. That is how things should be and your presence is what I'm longing for. Fucking hurry home you bastards.