Todos vivemos os nossos dias na crença de que existirá sempre o amanhã para remediarmos o mal que fizemos hoje, para completar aquilo que deixámos inacabado; para dizer as coisas que hoje achámos que não fazia sentido dizer. O amor que sentimos não deveria ser compatível com a ideia de ridículo que associamos à sua plena expressão. Não posso mais continuar sem te mostrar que te amo, e sei-o egoisticamente; assim que me sejas roubada, assim que feches os olhos pela última vez... Vou uivar de dor e chorar por todas as coisas que não te disse, por tudo aquilo que sou e vivo e que não partilho contigo. Mas eu não o quis assim, cresci sem saber quem era e como as minhas acções podem afectar o teu mundo. Sempre me vi como algo inerte, à parte do que é real e prático na vida, rodeado pela fina película de uma gigante bolha de sabão. E sair de dentro dessa bolha é o mais assustador.
Gosto de pensar que os anos me têm transformado numa pessoa mais prática e real. Tenho amigos? Consigo dizer abertamente que sim. Sou importante para eles? Tenho agora a tremenda ousadia (que nunca antes tive) de dizer que sim. Mas ser capaz de o afirmar não é o mais importante; o que realmente me deixa a alma em paz, me libera das abissais questões acerca do que sou, é saber que eles contam comigo em cada dia, que me procuram e não têm medo de me deixar entrar e ajudar o melhor que sei - e que pode até nem ser grande coisa, mas acreditem, não é nenhum frete. Não pude nunca ser amado de verdade porque não sabia que também tinha que amar, e muito menos como o fazer; no entanto cuidei que amar era instintivo, e, havendo a oportunidade, fingi que amava, pensando que era a valer.
Para terminar ficaria bem uma citação qualquer, mas que se foda isso. Nunca ninguém poderá dizer melhor que eu aquilo que tenho para dizer.
Gosto de pensar que os anos me têm transformado numa pessoa mais prática e real. Tenho amigos? Consigo dizer abertamente que sim. Sou importante para eles? Tenho agora a tremenda ousadia (que nunca antes tive) de dizer que sim. Mas ser capaz de o afirmar não é o mais importante; o que realmente me deixa a alma em paz, me libera das abissais questões acerca do que sou, é saber que eles contam comigo em cada dia, que me procuram e não têm medo de me deixar entrar e ajudar o melhor que sei - e que pode até nem ser grande coisa, mas acreditem, não é nenhum frete. Não pude nunca ser amado de verdade porque não sabia que também tinha que amar, e muito menos como o fazer; no entanto cuidei que amar era instintivo, e, havendo a oportunidade, fingi que amava, pensando que era a valer.
Para terminar ficaria bem uma citação qualquer, mas que se foda isso. Nunca ninguém poderá dizer melhor que eu aquilo que tenho para dizer.