quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

waste II

Chegou enfim o momento de dizer adeus

Todo este tempo não quisemos encarar a realidade
Deixámos o tempo passar na esperança de que tudo se resolvesse
Tolerar a tua presença e as atrocidades que cometias contra nós tornou-se um hábito
Até que acabaste por sucumbir a esse veneno em que te (nos) consumias.

Não houve tempo para últimas palavras...
Foi algo que lamentei profundamente, pois havia muito para dizer
De todas as vezes que acordámos e vivemos como se tudo estivesse bem
Faltou recordar o que se tinha passado na noite anterior
As coisas de que já não te lembravas...


"did daddy not love you?
or did he love you just too much?
did he control you?
did he live through you at your cost?
did he leave no questions for you to answer on your own?"
Staind - Waste

domingo, 14 de dezembro de 2008

waste

So many known faces...
We feel like recalling the old times
The years when everything was yet to end
And saying goodbye seemed like a far away reality

How many of these faces have missed us?
To whom are we still a part of the present
And didn't fade into happy memories?
Did it really exist?
Were we actually there?
We don't remember...

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Quem são estas pessoas que aparecem nos meus sonhos?
Estes sorrisos que me deixam à vontade...
Sombras de um passado que não sei se foi feliz
Mas cujas caras não parecem pensar se o são.

Reconheço as paredes do local onde me encontro
Sei que já aqui estive, e que na altura desejei estar noutro sítio
Anseio estar junto destas caras, para me poder sentir bem
Quero viver o tempo que deitei fora...

domingo, 19 de outubro de 2008

Sincero?

Não é meramente por necessidade de me expressar que dedico tempo à escrita
Por detrás das lamentações sinceras esbate-se um pretensiosismo orgulhoso.
Escrevo na esperança de que reconheçam valor naquilo que crio
Tal como faço com todas as outras coisas na minha vida.

Não me consigo abstrair daquilo que são as outras pessoas
E das opiniões que têm acerca de mim
Por isso vivo preso num mundo de aparências
Onde me dou por satisfeito quando me confundem com aquilo que pareço.

Não me ignorem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Auto-desprezo

Com o passar dos anos vamos aprofundando o conhecimento de nós próprios. Vou descobrindo esta coisa que existe em mim, e que sou eu mesmo, mas que não me obedece. De cada vez que quero agir, reagir aos insultos do mundo exterior, ela decide ficar sossegada, esperar que tudo passe sem grande alarido nem prejuízo para mim. Eventualmente "tudo" passa, mas fica um sentimento de repulsa.
Não me foi dado a escolher se queria ser covarde ou não; nunca me perguntaram se gostaria de ter uma consciência que me esmaga. Sou, portanto, algo que não foi por mim desejado em momento algum. Ainda assim não sei se conseguirei ser verdadeiramente feliz enquanto não aceitar aquilo que sou.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ilusão

Cada qual tem a sua maneira de escapar ao sofrimento
E a minha tem o hábito de se virar contra mim.
Escondido no conforto do isolamento não há receios que me inibam
Longe de opiniões e gostos que não os meus, não tenho que me sujeitar
A minha vontade tem um começo mas não tem um fim
O mundo que construo à minha imagem é perfeito, intocável
Tudo faz sentido, porque tudo é eu.

É este o meu universo ideal, é somente aqui que consigo viver
Lá fora a vida agita-se em sobressaltos e trambolhões
E eu não tenho que me preocupar com nada disso.
Porquê então o vazio? Porquê as lágrimas, a angústia?
Porque razão sinto que passei ao lado de tudo?
A ilusão em que vivi era demasiado perfeita, resta agora conformar-me.

Mas o que fazer quando se desespera por deixar alguém entrar
E esse alguém não pode habitar o mundo fictício da nossa vida?
Aqueles que são felizes estão presos à realidade porque esta se lhes apresenta bela
Não há como os convencer a fecharem os olhos e rastejarem na escuridão.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Trilhos

Vamos caminhando ao longo desta estrada
Recordamos outros tempos em que passávamos de mão dada
Não temos mais o que dizer
Terminaram os melhores anos das nossas vidas.

A partir daqui só há o desespero
Envelheceremos sozinhos e por fim ela virá
A consciência de que estamos a morrer
E de que tudo não passou de um sonho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Noite no Escuro

Tento expressar em vão aquilo que percorre o meu ser
Uma forma de angústia que ainda não tinha provado
Sentimentos que teimosamente julgo serem só meus.

Já perdi a conta às horas que passei aqui fechado
Neste fim do mundo que reconheço ser a minha vida.
Sonho em poder partilhar este reino de sensações absurdas
Quero que tu e eu nos tornemos um só.

Qual não é o meu desânimo perante a realidade, perversa
Nada do que sinto poderá alguma vez pertencer a outra pessoa
A minha dor, por muito semelhante que seja, nunca será igual à tua
Os delírios da minha mente perder-se-ão no meu caixão.

domingo, 13 de julho de 2008

Olá Mundo

O Mundo não se importa com aquilo que faço
Nunca me irá dar atenção, nunca me levará a sério
Mas isso também nunca foi motivo para deixar de fazer algo.

O Mundo é o meu pior inimigo mas também a minha salvação
Quero ver-me livre dele, mas ao mesmo tempo anseio que repare em mim
Evito-o e nego-o com todas as minhas forças
Mas a curiosidade é mais forte do que eu.

Aos poucos vou tentando entrar no Mundo
Fazer parte de um universo que não é o meu
Ter aquilo a que se chama uma vida social
Aventuro-me e descubro que afinal não é tão mau assim.

A partir do momento que decido que quero ser feliz
Sei que só no Mundo isso poderá acontecer
Se me isolar numa tentativa de não magoar e ser magoado
Apenas me restará um sentimento de abandono
Uma falta de vontade de fazer o quer que seja...

Não sei se é o Mundo que me está a dar uma oportunidade a mim
Ou se sou eu a ele...
Sei apenas que comecei a sorrir mais abertamente
Comecei a aprender a dar-me e a receber

Vou dando, vou recebendo...
Sinto uma moderada excitação em relação ao amanhã.
Olá Mundo.