Vagueando... Sempre vagueando. Sempre à espera de quem me viesse salvar. Alheado... Alheado dos outros e do meu potencial. Quem é triste tem bom remédio... Precisa somente de deixar de o ser. A felicidade não é uma sorte, o amor não é um achado. Eu encontro coisas boas que não procurei especificamente, mas ainda assim elas vêm ter comigo porque deixei de estar na expectativa. Faço votos para que nunca mais vagueie, para que daqui em diante seja sempre caminhar. Caminhar comigo, caminhar contigo... Juntos até à eternidade.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Idolatria
Diz-me quem queres que eu seja
Como queres que eu seja
Quando quiseres que eu seja.
Diz-me o que me falta ainda
Para que possa estar a teu gosto
Diz-me por favor... que como sou não chega.
Olhas com atenção os contornos da minha imperfeição
Sonhas tudo aquilo que eu poderia ser
E por um momento sentes a felicidade que daí adviria.
E eu rastejo...
Rastejo perante um julgamento tal
Que me deixa reduzido à minha consciência de mim.
Continuo rastejando...
Ante as expectativas que queres que sejam as minhas
Para meu próprio bem.
...
Eu não quero as tuas expectativas
Não sinto a necessidade de reverberar nessa perfeição que idolatras
Sou o melhor de mim mesmo e isso é o suficiente
Pois assim já sou melhor que o mundo.
Espero que agonies na tua imperfeição
Enquanto eu esgoto a minha em amor imperfeito e arte
Serei sempre este belo pedaço de miséria humana que julgaste
Sempre a flor da animalesca condição.
Está na hora de partir...
Não posso ficar mais tempo contigo
Deixarei para trás as mágoas para com quem não compreendeu
Esquecerei a cara de quem não amou.
Eu... eu sou mais forte
Eu... sou mais belo
Eu... sou mais eu do que tu alguma vez foste tu.
Como queres que eu seja
Quando quiseres que eu seja.
Diz-me o que me falta ainda
Para que possa estar a teu gosto
Diz-me por favor... que como sou não chega.
Olhas com atenção os contornos da minha imperfeição
Sonhas tudo aquilo que eu poderia ser
E por um momento sentes a felicidade que daí adviria.
E eu rastejo...
Rastejo perante um julgamento tal
Que me deixa reduzido à minha consciência de mim.
Continuo rastejando...
Ante as expectativas que queres que sejam as minhas
Para meu próprio bem.
...
Eu não quero as tuas expectativas
Não sinto a necessidade de reverberar nessa perfeição que idolatras
Sou o melhor de mim mesmo e isso é o suficiente
Pois assim já sou melhor que o mundo.
Espero que agonies na tua imperfeição
Enquanto eu esgoto a minha em amor imperfeito e arte
Serei sempre este belo pedaço de miséria humana que julgaste
Sempre a flor da animalesca condição.
Está na hora de partir...
Não posso ficar mais tempo contigo
Deixarei para trás as mágoas para com quem não compreendeu
Esquecerei a cara de quem não amou.
Eu... eu sou mais forte
Eu... sou mais belo
Eu... sou mais eu do que tu alguma vez foste tu.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Despedida
Preciso de sair
Preciso de ar fresco
Preciso de me reinventar
Tenho sido o mesmo toda a minha vida
Tenho feito o mesmo toda a minha vida
Não quero mais isto
Isto é um adeus.
Quero viver o meu sonho
Quero libertar-me de tudo o que me prende a alguma coisa
Pegar na minha guitarra e partir
Pegar em mim mesmo e ir conhecer-me
Ir à conquista de tudo o que houver e de quem houver
Já não me basta esta realidade estúpida.
Eu não mudei drasticamente
Mantenho os traços principais de quem fui
Continuo a ter uma predileção pela perfeição
Mas comecei a aceitar que existem limites
Continuo desejoso de cuidar e fazer bem aos outros
Mas aprendi a escolher apenas quem o merece
Continuo a querer ser o melhor
Mas isso deixou de ser uma ânsia
Quero apenas que esse ideal me guie e ajude a ser o melhor de mim
Porque o melhor de mim é o melhor para aqueles que me amam.
Aprendi a detestar o que é inútil
Reprimo intensamente as coisas inúteis que me puxam para elas
Tomei as rédeas da minha vida
Ou pelo menos tentei
Aquilo que faço pode ser tosco e estranho
Mas sou guiado pelos ideais mais nobres
Ou se calhar eles nem são nobres
Mas pelo menos são os meus.
Tenho voz.
Finalmente tenho voz.
Ainda sou fraco, mas já não sou tão fraco
Não me deixo pisar como deixava
Não me vão pisar mais assim
Lamento.
Será que ainda desejo vingar-me?
Será?...
E se me vingar, isso irá ajudar em alguma coisa?
Acho que não
Mas tentem dizer isso ao espírito humano.
Vou-me mesmo embora
Desta vez não é a brincar
Vou em busca da independência
Não quero mais brincar às famílias
Não quero nada de quem nunca quis nada
Estava na hora de terminar a farsa
Vou para junto de quem precisa
Vou alegrar uma vida
Vou ajudar a viver quem já deu muito
Vou...
Deixo muito aqui
Deixo demasiado
Tenho que deixar...
Serei egoísta?
Serei mal agradecido?
Sou tudo isso e muito mais
Mas enquanto não crescer não posso voltar
Enquanto não tiver a vida nas minhas mãos não voltarei
Por aquela porta não mais passará uma criança.
Já falei antes das despedidas
Da mudança
Do adeus
Contudo há sempre qualquer coisa para dizer
Qualquer recado para dar
Qualquer boa sorte para desejar
...
Não era isto que eu queria para ti
Mas está na altura de te libertares
Está na altura de saíres de casa...
É agora
Adeus
Nunca me esquecerei de onde parti
Nunca irei negar o meu sangue
Mas aqui irá terminar esta linhagem
Esta casa irá ficar abandonada
Eu serei livre
E feliz.
Preciso de ar fresco
Preciso de me reinventar
Tenho sido o mesmo toda a minha vida
Tenho feito o mesmo toda a minha vida
Não quero mais isto
Isto é um adeus.
Quero viver o meu sonho
Quero libertar-me de tudo o que me prende a alguma coisa
Pegar na minha guitarra e partir
Pegar em mim mesmo e ir conhecer-me
Ir à conquista de tudo o que houver e de quem houver
Já não me basta esta realidade estúpida.
Eu não mudei drasticamente
Mantenho os traços principais de quem fui
Continuo a ter uma predileção pela perfeição
Mas comecei a aceitar que existem limites
Continuo desejoso de cuidar e fazer bem aos outros
Mas aprendi a escolher apenas quem o merece
Continuo a querer ser o melhor
Mas isso deixou de ser uma ânsia
Quero apenas que esse ideal me guie e ajude a ser o melhor de mim
Porque o melhor de mim é o melhor para aqueles que me amam.
Aprendi a detestar o que é inútil
Reprimo intensamente as coisas inúteis que me puxam para elas
Tomei as rédeas da minha vida
Ou pelo menos tentei
Aquilo que faço pode ser tosco e estranho
Mas sou guiado pelos ideais mais nobres
Ou se calhar eles nem são nobres
Mas pelo menos são os meus.
Tenho voz.
Finalmente tenho voz.
Ainda sou fraco, mas já não sou tão fraco
Não me deixo pisar como deixava
Não me vão pisar mais assim
Lamento.
Será que ainda desejo vingar-me?
Será?...
E se me vingar, isso irá ajudar em alguma coisa?
Acho que não
Mas tentem dizer isso ao espírito humano.
Vou-me mesmo embora
Desta vez não é a brincar
Vou em busca da independência
Não quero mais brincar às famílias
Não quero nada de quem nunca quis nada
Estava na hora de terminar a farsa
Vou para junto de quem precisa
Vou alegrar uma vida
Vou ajudar a viver quem já deu muito
Vou...
Deixo muito aqui
Deixo demasiado
Tenho que deixar...
Serei egoísta?
Serei mal agradecido?
Sou tudo isso e muito mais
Mas enquanto não crescer não posso voltar
Enquanto não tiver a vida nas minhas mãos não voltarei
Por aquela porta não mais passará uma criança.
Já falei antes das despedidas
Da mudança
Do adeus
Contudo há sempre qualquer coisa para dizer
Qualquer recado para dar
Qualquer boa sorte para desejar
...
Não era isto que eu queria para ti
Mas está na altura de te libertares
Está na altura de saíres de casa...
É agora
Adeus
Nunca me esquecerei de onde parti
Nunca irei negar o meu sangue
Mas aqui irá terminar esta linhagem
Esta casa irá ficar abandonada
Eu serei livre
E feliz.
domingo, 14 de março de 2010
Fluindo como o rio
Quem sabe da vida o que quer
Mais do que a querer perpetuar?
Quem descorre que sentimentos são estes
E como com eles lidar?
Sei quem quero, mas não sei como quero
Sei quem espero, mas não sei por que espero
O que esperar quando não se espera nada?
Amando por amar, a realidade é tão clara!
Segurei mãos com a vida, renovada
E a partilha veio como dádiva encarnada
Quem me chama sorri e sente
A constância de amor presente.
Ontem e hoje, ofereci o que em mim existe
Hoje e amanhã, não quero ver ninguém triste!
Quero ser o canal onde flui a alegria
A ânsia de sonhar em cada novo dia.
E o sonho que é a realidade
Deixou-me sem vontade de indagar
Pergunto ainda ao coração que pensa ele
Mas ele só sabe palpitar.
Quem sabe o que quer da vida?
E se souber, sabe-lo-á em cada instante?
Ou te-lo-á perdido dentro de si?
O rio segue para jusante.
Mais do que a querer perpetuar?
Quem descorre que sentimentos são estes
E como com eles lidar?
Sei quem quero, mas não sei como quero
Sei quem espero, mas não sei por que espero
O que esperar quando não se espera nada?
Amando por amar, a realidade é tão clara!
Segurei mãos com a vida, renovada
E a partilha veio como dádiva encarnada
Quem me chama sorri e sente
A constância de amor presente.
Ontem e hoje, ofereci o que em mim existe
Hoje e amanhã, não quero ver ninguém triste!
Quero ser o canal onde flui a alegria
A ânsia de sonhar em cada novo dia.
E o sonho que é a realidade
Deixou-me sem vontade de indagar
Pergunto ainda ao coração que pensa ele
Mas ele só sabe palpitar.
Quem sabe o que quer da vida?
E se souber, sabe-lo-á em cada instante?
Ou te-lo-á perdido dentro de si?
O rio segue para jusante.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Tomodachi
Com a minha guitarra nos braços fecho os olhos
Apaziguo a mente e sinto a alma respirando, exalando plenitude.
Os dias cinzentos começaram a encurtar
E a madrugada da redenção estendeu-se por todo o horizonte.
Apagaram-se de mim todos os sentimentos que feriam
Para sempre sou tranquilidade.
Cada fraqueza minha, cada barreira intransponível
Tudo se dissipou em fumo quando me apresentaram vossos corações.
As inseguranças, os absurdos da existência
Parecem menos inevitáveis e irremediáveis quando me sento ao vosso lado.
Não pedi nada, não revelei que vivia desejoso de amar
E ainda assim, sem repararem, deram-me tudo.
...
"Quem nada conhece nada ama"
Houve quem não conseguisse conhecer
Essas vidas foram descartadas na esperança de encontrar enfim a paz.
Na altura não tive uma palavra a dizer... Se fosse hoje... Se ao menos fosse hoje...
Viver é bom quando um olhar basta e sorrir é espontâneo
E agora é convosco a meu lado que enfrento os dias.
Apaziguo a mente e sinto a alma respirando, exalando plenitude.
Os dias cinzentos começaram a encurtar
E a madrugada da redenção estendeu-se por todo o horizonte.
Apagaram-se de mim todos os sentimentos que feriam
Para sempre sou tranquilidade.
Cada fraqueza minha, cada barreira intransponível
Tudo se dissipou em fumo quando me apresentaram vossos corações.
As inseguranças, os absurdos da existência
Parecem menos inevitáveis e irremediáveis quando me sento ao vosso lado.
Não pedi nada, não revelei que vivia desejoso de amar
E ainda assim, sem repararem, deram-me tudo.
...
"Quem nada conhece nada ama"
Houve quem não conseguisse conhecer
Essas vidas foram descartadas na esperança de encontrar enfim a paz.
Na altura não tive uma palavra a dizer... Se fosse hoje... Se ao menos fosse hoje...
Viver é bom quando um olhar basta e sorrir é espontâneo
E agora é convosco a meu lado que enfrento os dias.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Axioma
Tenho medo. Muito medo.
Não foi suficiente encarar a vida de frente
Pois até para o mais forte dos homens ela se mostra aterradora.
Ousei tocar um estado novo em mim, o da iluminação.
Saboreei as minhas maiores conquistas, transbordei sabedoria
Mas agora que a consciência me tomou de assalto fiquei sem tapete.
Não me sinto mais débil hoje.
Mas quando nos sentimos absurdos não há vontade que não dobre
E a minha vontade de triunfar perdeu-se quando me questionei...
Triunfar em quê? Triunfar porquê? Para quê?
A principal dificuldade da vida é criar-lhe os axiomas.
Será falta de amor?
Ainda não me amo o suficiente?
Não estavam afinal bem tapados os buracos do meu coração.
Vou resistir, mas...
A barreira invisível que se interpôs entre nós dilacera-me.
Não foi suficiente encarar a vida de frente
Pois até para o mais forte dos homens ela se mostra aterradora.
Ousei tocar um estado novo em mim, o da iluminação.
Saboreei as minhas maiores conquistas, transbordei sabedoria
Mas agora que a consciência me tomou de assalto fiquei sem tapete.
Não me sinto mais débil hoje.
Mas quando nos sentimos absurdos não há vontade que não dobre
E a minha vontade de triunfar perdeu-se quando me questionei...
Triunfar em quê? Triunfar porquê? Para quê?
A principal dificuldade da vida é criar-lhe os axiomas.
Será falta de amor?
Ainda não me amo o suficiente?
Não estavam afinal bem tapados os buracos do meu coração.
Vou resistir, mas...
A barreira invisível que se interpôs entre nós dilacera-me.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
j.
Estava já a chegar o tempo frio, era uma tarde de dia de semana. Ela passava em direcção à cozinha, atarefada no cuidar da casa, sempre deitando-lhe um olho, para verificar se estava tudo bem, se ele estava tranquilo. Era esta a sua vida, a sua única preocupação. Foi numa dessas vezes em que ela passou e espreitou para dentro do quarto que ele a fitou e disse Anda para aqui... Senta-te aqui ao pé de mim. Ela respondeu Já vou, já vou... E, sentando-se, Tu sabes que és A Minha Companhia, ao que ele respondeu E tu és A Minha.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Separação
É aqui que nos separamos.
É agora que terás de aprender a viver sem mim, sem este esconderijo do mundo que eu era. Não é saudável termos como único motivo de felicidade uma pessoa, abandonarmo-nos a uma dependência emocional e física. Se me disseres que nada mais existe na tua vida que seja valioso, então irei embora porque não me amas.
O meu mais secreto desejo foi sempre o mais sórdido dos fetiches, ter alguém que fosse dependente de mim, que suplicasse pelo meu toque, pelo meu cheiro, pelo meu sabor. Que se humilhasse perante mim e disfrutasse de um prazer sem limites nas minhas mãos. O meu sonho era controlar um ser humano.
O tempo mostrou-me que eu era apenas uma alma abandonada. Abandonada de si, não abandonada pelos outros, porque se não furgirmos de nós próprios existirá sempre alguém ao nosso lado. Só se deseja uma relação assim quando não existe uma auto-valorização, um amor próprio substancial, pois quem é completo não procura ser o deus de ninguém. (Será Deus completo?)
Após a separação encontrei-me perdido, tal como tu. Não me digas que sofreste muito mais que eu, porque é mentira. Apenas sofreste uma dor diferente, a da rejeição, que fere aqueles que não se amam o suficiente. Quanto a mim, senti a debilidade da minha existência, a inutilidade do meu ser, a minha falta de importância neste mundo, de que andei alheado. Ainda assim os dois sofrimentos tiveram em comum uma coisa, a desilusão. A minha fui eu próprio, e a tua fui eu também.
Voltei a repetir-me. Parece que gosto mesmo da fatalidade que é o fim de uma relação. Aquelas palavras carregadas de raiva e lágrimas que são atiradas ao outro como a derradeira machadada, a tentativa desesperada de magoar, de destruir quem não nos quis. Ridículo. Dos desejos irracionais que o homem sente mais intensamente, a vingança é o mais ridículo.
Agora que nos separámos vejo-te sentada ao piano. Vais tocando parte de uma qualquer sinfonia de um grande compositor de outro século, e eu escuto com atenção. Nem sabia que tocavas piano, nem nunca te vi tão calma, tão angelical. As grandes decisões tomam-se sentando ao piano.
É agora que terás de aprender a viver sem mim, sem este esconderijo do mundo que eu era. Não é saudável termos como único motivo de felicidade uma pessoa, abandonarmo-nos a uma dependência emocional e física. Se me disseres que nada mais existe na tua vida que seja valioso, então irei embora porque não me amas.
O meu mais secreto desejo foi sempre o mais sórdido dos fetiches, ter alguém que fosse dependente de mim, que suplicasse pelo meu toque, pelo meu cheiro, pelo meu sabor. Que se humilhasse perante mim e disfrutasse de um prazer sem limites nas minhas mãos. O meu sonho era controlar um ser humano.
O tempo mostrou-me que eu era apenas uma alma abandonada. Abandonada de si, não abandonada pelos outros, porque se não furgirmos de nós próprios existirá sempre alguém ao nosso lado. Só se deseja uma relação assim quando não existe uma auto-valorização, um amor próprio substancial, pois quem é completo não procura ser o deus de ninguém. (Será Deus completo?)
Após a separação encontrei-me perdido, tal como tu. Não me digas que sofreste muito mais que eu, porque é mentira. Apenas sofreste uma dor diferente, a da rejeição, que fere aqueles que não se amam o suficiente. Quanto a mim, senti a debilidade da minha existência, a inutilidade do meu ser, a minha falta de importância neste mundo, de que andei alheado. Ainda assim os dois sofrimentos tiveram em comum uma coisa, a desilusão. A minha fui eu próprio, e a tua fui eu também.
Voltei a repetir-me. Parece que gosto mesmo da fatalidade que é o fim de uma relação. Aquelas palavras carregadas de raiva e lágrimas que são atiradas ao outro como a derradeira machadada, a tentativa desesperada de magoar, de destruir quem não nos quis. Ridículo. Dos desejos irracionais que o homem sente mais intensamente, a vingança é o mais ridículo.
Agora que nos separámos vejo-te sentada ao piano. Vais tocando parte de uma qualquer sinfonia de um grande compositor de outro século, e eu escuto com atenção. Nem sabia que tocavas piano, nem nunca te vi tão calma, tão angelical. As grandes decisões tomam-se sentando ao piano.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
relate in a new way
Tell me you're feeling me
And not just the impressions I leave on you.
I don't want you just because we can relate
I'd hate to pity you and have you do the same with me.
What I want is a smile only for the sake of it
Bliss with no commitment attached.
Obligation knows no originality
And true love loves being free.
I just wish I could say
I don't have any second intentions
And I wish I could say...
I want to relate to you in a new way.
And not just the impressions I leave on you.
I don't want you just because we can relate
I'd hate to pity you and have you do the same with me.
What I want is a smile only for the sake of it
Bliss with no commitment attached.
Obligation knows no originality
And true love loves being free.
I just wish I could say
I don't have any second intentions
And I wish I could say...
I want to relate to you in a new way.
domingo, 17 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Clareira
Esquecemos o nosso fim quando ainda estávamos no começo
Perdemo-nos no conforto da mão quente que agarrou a nossa
Sem questionar a realidade que se fechava em nós.
A vida esconde-se por detrás de fino véu
Mínima divisão entre a ignorância feliz
E o céu intelectual.
Não evites as minhas perguntas pois elas são necessárias.
Quem estará seguro senão os pequenos?
Eu ousei desafiar a normalidade
Não quis entregar-me a um destino repetido
Por isso me desejas agora mal
Por isso deixaste de acreditar.
Ainda que me desses o mundo, retornaria àquele altar
Em que sacrifiquei o amor disfarçado.
Tomando agora a minha oferta
Viverás de novo para uma existência plena.
Não me culpes.
Ninguém é uma vítima, somente espectador.
Eu não quero que me odeies, mas que me ames.
...

O céu clareia lá ao fundo.
Perdemo-nos no conforto da mão quente que agarrou a nossa
Sem questionar a realidade que se fechava em nós.
A vida esconde-se por detrás de fino véu
Mínima divisão entre a ignorância feliz
E o céu intelectual.
Não evites as minhas perguntas pois elas são necessárias.
Quem estará seguro senão os pequenos?
Eu ousei desafiar a normalidade
Não quis entregar-me a um destino repetido
Por isso me desejas agora mal
Por isso deixaste de acreditar.
Ainda que me desses o mundo, retornaria àquele altar
Em que sacrifiquei o amor disfarçado.
Tomando agora a minha oferta
Viverás de novo para uma existência plena.
Não me culpes.
Ninguém é uma vítima, somente espectador.
Eu não quero que me odeies, mas que me ames.
...
O céu clareia lá ao fundo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Metamorfose
A minha produção literária no presente intriga-me. Escrevi sempre para que o sofrimento não morresse todo comigo, para que ele pudesse ser convertido em algo que me trouxesse atenção e assim ser-me útil.
Vejo agora a tristeza reduzida a recordações, sonho com elas em tardes de outono em que passando nas ruas da minha infância encontro a brincar nos pátios aqueles que foram os meus amigos. Ora aqui, ora ali, o vento que se levanta deixa-me arrepiado, e sinto o desejo de voltar para o calor da minha casa.
Deixei de reviver exaustivamente os meus passos, de imaginar como tudo se deveria ter passado. Era já a hora de aceitar a intangibilidade da perfeição, de acalmar a urgência em controlar e esconder as debilidades. Assim, iniciei o processo da aceitação positiva do eu, aquela em que se reconhece valor nos atributos pessoais que de facto são positivos, sem que no entanto se deseje ser-se outra coisa. Reconheço as minhas qualidades, e mesmo que elas não sejam adoradas pela sociedade, sou capaz de andar de cabeça erguida. Adiciona-se a isto o facto desta aceitação não significar resignação, pois as fraquezas que naturalmente existem podem ser trabalhadas, num processo de crescimento que passa muito pelo relacionamento com os outros e pela partilha de experiências e conselhos de forma honesta.
Apercebi-me então que sou capaz de mudar certos aspectos menos bons em mim. E isto leva-me à face da mudança que mais manifestamente tem entrado na minha vida, o que de mais espantoso se operou na minha mente, e que foi a criação de uma atitude positiva face aos desafios, face à realidade. Criei e solidifiquei a crença na minha força, sinto que posso contrariar as minhas limitações e superar a criatura fraca que fui até hoje. Ganhei confiança.
Esta mudança ocorreu num período em que me lancei à descoberta de novas amizades, após ter sentido a desolação da falta de contacto humano profundo. Foi provavelmente o meu maior desafio, construir ligações que me permitissem fazer parte da existência de outras pessoas a um nível quotidiano e sobretudo afectivo. Não sei se era esta a minha ideia inicial, mas quando dei por mim estava já a desenvolver um carinho, um sentimento de preocupação e interesse por estas pessoas, e a felicidade de ver tudo isto retribuído foi imensa.
Aquilo que escrevo hoje passa muito por celebrar a mudança. Tenho enfim uma voz, ganhei a coragem e a vontade de dizer aquilo que fervilha dentro de mim. A minha opinião pode não contar para muita gente, mas ainda assim quero que a ouçam. O que escrevo pode ser ignorado, mas não é por isso que irei parar de escrever e publicar no meu blog. Tenho uma voz e ela sente a necessidade de exprimir todas as coisas boas que fui capaz de trazer para a minha vida, a alegria que é ter amigos que se entreguem a mim e poder adormecer também nos seus cuidados. Quando somos amados fechamos os olhos muito mais tranquilamente à noite, e adormecemos mais depressa.
Acho que os caminhos sem saída não existem realmente nas nossas vidas, ou pelo menos aqueles que se me afiguraram eram na realidade ilusões. E agora que encontrei o meu caminho, talvez não pareça tão estranho este vigor na minha produção literária .
Vejo agora a tristeza reduzida a recordações, sonho com elas em tardes de outono em que passando nas ruas da minha infância encontro a brincar nos pátios aqueles que foram os meus amigos. Ora aqui, ora ali, o vento que se levanta deixa-me arrepiado, e sinto o desejo de voltar para o calor da minha casa.
Deixei de reviver exaustivamente os meus passos, de imaginar como tudo se deveria ter passado. Era já a hora de aceitar a intangibilidade da perfeição, de acalmar a urgência em controlar e esconder as debilidades. Assim, iniciei o processo da aceitação positiva do eu, aquela em que se reconhece valor nos atributos pessoais que de facto são positivos, sem que no entanto se deseje ser-se outra coisa. Reconheço as minhas qualidades, e mesmo que elas não sejam adoradas pela sociedade, sou capaz de andar de cabeça erguida. Adiciona-se a isto o facto desta aceitação não significar resignação, pois as fraquezas que naturalmente existem podem ser trabalhadas, num processo de crescimento que passa muito pelo relacionamento com os outros e pela partilha de experiências e conselhos de forma honesta.
Apercebi-me então que sou capaz de mudar certos aspectos menos bons em mim. E isto leva-me à face da mudança que mais manifestamente tem entrado na minha vida, o que de mais espantoso se operou na minha mente, e que foi a criação de uma atitude positiva face aos desafios, face à realidade. Criei e solidifiquei a crença na minha força, sinto que posso contrariar as minhas limitações e superar a criatura fraca que fui até hoje. Ganhei confiança.
Esta mudança ocorreu num período em que me lancei à descoberta de novas amizades, após ter sentido a desolação da falta de contacto humano profundo. Foi provavelmente o meu maior desafio, construir ligações que me permitissem fazer parte da existência de outras pessoas a um nível quotidiano e sobretudo afectivo. Não sei se era esta a minha ideia inicial, mas quando dei por mim estava já a desenvolver um carinho, um sentimento de preocupação e interesse por estas pessoas, e a felicidade de ver tudo isto retribuído foi imensa.
Aquilo que escrevo hoje passa muito por celebrar a mudança. Tenho enfim uma voz, ganhei a coragem e a vontade de dizer aquilo que fervilha dentro de mim. A minha opinião pode não contar para muita gente, mas ainda assim quero que a ouçam. O que escrevo pode ser ignorado, mas não é por isso que irei parar de escrever e publicar no meu blog. Tenho uma voz e ela sente a necessidade de exprimir todas as coisas boas que fui capaz de trazer para a minha vida, a alegria que é ter amigos que se entreguem a mim e poder adormecer também nos seus cuidados. Quando somos amados fechamos os olhos muito mais tranquilamente à noite, e adormecemos mais depressa.
Acho que os caminhos sem saída não existem realmente nas nossas vidas, ou pelo menos aqueles que se me afiguraram eram na realidade ilusões. E agora que encontrei o meu caminho, talvez não pareça tão estranho este vigor na minha produção literária .
sábado, 2 de janeiro de 2010
Ela
Estar na moda não faz o meu género. Ser capaz de copiar e seguir tendências não é uma habilidade que me impressione. Não ligo demasiado à maquilhagem, ao penteado, à roupa, aos acessórios, tudo isso é muito acessório. Simplesmente gosto da beleza natural de quem é belo.
Por que foi que apetrechámos os nossos corpos para esta noite?
A verdade é que estás deslumbrante. Cada pedaço de ti respira beleza, quando passas não há como ficar indiferente. As fantasias mais loucas a turbilharem na cabeça, o sangue a fazer os vasos palpitarem, o cheiro a invadir o cérebro. Estás insanamente apetecível, não há uma parte de mim que não te deseje.
Mas tudo isto é falso e há uma única coisa em ti que me cativa verdadeiramente. Tudo o que aparentas se desintegra e fica a pairar no ar como uma neblina dourada quando te olho nos olhos. Olhamo-nos sem esconder nada. As vidas que vivemos, os gostos que temos, os objectivos que perseguimos... Tudo é absorvido num olhar entre dois estranhos, deixam-se escapar os medos por baixo da retina, as fraquezas reflectidas na pupila. Somos criaturas frágeis que se adaptaram à vida em comunidade, construindo uma imagem forte e apetecível. Suprimimos aquilo que não queremos ser, escondemos bem longe os medos mais básicos e irracionais, para que não nos venham a rejeitar.
Tudo passa através do olhar. Esquece quem és, quem foste, quem gostarias de ser. Diz-me o quê que desejas, o quê que temes, quem é que não suportas.
Somos desconhecidos cujos ombros se roçaram quando passávamos na rua, mas sei que no final de contas serás mais uma pessoa em quem ficarei gravado .
Por que foi que apetrechámos os nossos corpos para esta noite?
A verdade é que estás deslumbrante. Cada pedaço de ti respira beleza, quando passas não há como ficar indiferente. As fantasias mais loucas a turbilharem na cabeça, o sangue a fazer os vasos palpitarem, o cheiro a invadir o cérebro. Estás insanamente apetecível, não há uma parte de mim que não te deseje.
Mas tudo isto é falso e há uma única coisa em ti que me cativa verdadeiramente. Tudo o que aparentas se desintegra e fica a pairar no ar como uma neblina dourada quando te olho nos olhos. Olhamo-nos sem esconder nada. As vidas que vivemos, os gostos que temos, os objectivos que perseguimos... Tudo é absorvido num olhar entre dois estranhos, deixam-se escapar os medos por baixo da retina, as fraquezas reflectidas na pupila. Somos criaturas frágeis que se adaptaram à vida em comunidade, construindo uma imagem forte e apetecível. Suprimimos aquilo que não queremos ser, escondemos bem longe os medos mais básicos e irracionais, para que não nos venham a rejeitar.
Tudo passa através do olhar. Esquece quem és, quem foste, quem gostarias de ser. Diz-me o quê que desejas, o quê que temes, quem é que não suportas.
Somos desconhecidos cujos ombros se roçaram quando passávamos na rua, mas sei que no final de contas serás mais uma pessoa em quem ficarei gravado .
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