segunda-feira, 22 de março de 2010

Despedida

Preciso de sair
Preciso de ar fresco
Preciso de me reinventar
Tenho sido o mesmo toda a minha vida
Tenho feito o mesmo toda a minha vida
Não quero mais isto
Isto é um adeus.

Quero viver o meu sonho
Quero libertar-me de tudo o que me prende a alguma coisa
Pegar na minha guitarra e partir
Pegar em mim mesmo e ir conhecer-me
Ir à conquista de tudo o que houver e de quem houver
Já não me basta esta realidade estúpida.

Eu não mudei drasticamente
Mantenho os traços principais de quem fui
Continuo a ter uma predileção pela perfeição
Mas comecei a aceitar que existem limites
Continuo desejoso de cuidar e fazer bem aos outros
Mas aprendi a escolher apenas quem o merece
Continuo a querer ser o melhor
Mas isso deixou de ser uma ânsia
Quero apenas que esse ideal me guie e ajude a ser o melhor de mim
Porque o melhor de mim é o melhor para aqueles que me amam.
Aprendi a detestar o que é inútil
Reprimo intensamente as coisas inúteis que me puxam para elas
Tomei as rédeas da minha vida
Ou pelo menos tentei
Aquilo que faço pode ser tosco e estranho
Mas sou guiado pelos ideais mais nobres
Ou se calhar eles nem são nobres
Mas pelo menos são os meus.

Tenho voz.
Finalmente tenho voz.
Ainda sou fraco, mas já não sou tão fraco
Não me deixo pisar como deixava
Não me vão pisar mais assim
Lamento.
Será que ainda desejo vingar-me?
Será?...
E se me vingar, isso irá ajudar em alguma coisa?
Acho que não
Mas tentem dizer isso ao espírito humano.

Vou-me mesmo embora
Desta vez não é a brincar
Vou em busca da independência
Não quero mais brincar às famílias
Não quero nada de quem nunca quis nada
Estava na hora de terminar a farsa
Vou para junto de quem precisa
Vou alegrar uma vida
Vou ajudar a viver quem já deu muito
Vou...
Deixo muito aqui
Deixo demasiado
Tenho que deixar...
Serei egoísta?
Serei mal agradecido?
Sou tudo isso e muito mais
Mas enquanto não crescer não posso voltar
Enquanto não tiver a vida nas minhas mãos não voltarei
Por aquela porta não mais passará uma criança.

Já falei antes das despedidas
Da mudança
Do adeus
Contudo há sempre qualquer coisa para dizer
Qualquer recado para dar
Qualquer boa sorte para desejar
...
Não era isto que eu queria para ti
Mas está na altura de te libertares
Está na altura de saíres de casa...

É agora
Adeus
Nunca me esquecerei de onde parti
Nunca irei negar o meu sangue
Mas aqui irá terminar esta linhagem
Esta casa irá ficar abandonada
Eu serei livre
E feliz.

Um comentário:

D disse...

" Leva-me contigo na palma da tua mão, que eu já não consigo pisar mais este chão ... "

Levas?