Com a minha guitarra nos braços fecho os olhos
Apaziguo a mente e sinto a alma respirando, exalando plenitude.
Os dias cinzentos começaram a encurtar
E a madrugada da redenção estendeu-se por todo o horizonte.
Apagaram-se de mim todos os sentimentos que feriam
Para sempre sou tranquilidade.
Cada fraqueza minha, cada barreira intransponível
Tudo se dissipou em fumo quando me apresentaram vossos corações.
As inseguranças, os absurdos da existência
Parecem menos inevitáveis e irremediáveis quando me sento ao vosso lado.
Não pedi nada, não revelei que vivia desejoso de amar
E ainda assim, sem repararem, deram-me tudo.
...
"Quem nada conhece nada ama"
Houve quem não conseguisse conhecer
Essas vidas foram descartadas na esperança de encontrar enfim a paz.
Na altura não tive uma palavra a dizer... Se fosse hoje... Se ao menos fosse hoje...
Viver é bom quando um olhar basta e sorrir é espontâneo
E agora é convosco a meu lado que enfrento os dias.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Axioma
Tenho medo. Muito medo.
Não foi suficiente encarar a vida de frente
Pois até para o mais forte dos homens ela se mostra aterradora.
Ousei tocar um estado novo em mim, o da iluminação.
Saboreei as minhas maiores conquistas, transbordei sabedoria
Mas agora que a consciência me tomou de assalto fiquei sem tapete.
Não me sinto mais débil hoje.
Mas quando nos sentimos absurdos não há vontade que não dobre
E a minha vontade de triunfar perdeu-se quando me questionei...
Triunfar em quê? Triunfar porquê? Para quê?
A principal dificuldade da vida é criar-lhe os axiomas.
Será falta de amor?
Ainda não me amo o suficiente?
Não estavam afinal bem tapados os buracos do meu coração.
Vou resistir, mas...
A barreira invisível que se interpôs entre nós dilacera-me.
Não foi suficiente encarar a vida de frente
Pois até para o mais forte dos homens ela se mostra aterradora.
Ousei tocar um estado novo em mim, o da iluminação.
Saboreei as minhas maiores conquistas, transbordei sabedoria
Mas agora que a consciência me tomou de assalto fiquei sem tapete.
Não me sinto mais débil hoje.
Mas quando nos sentimos absurdos não há vontade que não dobre
E a minha vontade de triunfar perdeu-se quando me questionei...
Triunfar em quê? Triunfar porquê? Para quê?
A principal dificuldade da vida é criar-lhe os axiomas.
Será falta de amor?
Ainda não me amo o suficiente?
Não estavam afinal bem tapados os buracos do meu coração.
Vou resistir, mas...
A barreira invisível que se interpôs entre nós dilacera-me.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
j.
Estava já a chegar o tempo frio, era uma tarde de dia de semana. Ela passava em direcção à cozinha, atarefada no cuidar da casa, sempre deitando-lhe um olho, para verificar se estava tudo bem, se ele estava tranquilo. Era esta a sua vida, a sua única preocupação. Foi numa dessas vezes em que ela passou e espreitou para dentro do quarto que ele a fitou e disse Anda para aqui... Senta-te aqui ao pé de mim. Ela respondeu Já vou, já vou... E, sentando-se, Tu sabes que és A Minha Companhia, ao que ele respondeu E tu és A Minha.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Separação
É aqui que nos separamos.
É agora que terás de aprender a viver sem mim, sem este esconderijo do mundo que eu era. Não é saudável termos como único motivo de felicidade uma pessoa, abandonarmo-nos a uma dependência emocional e física. Se me disseres que nada mais existe na tua vida que seja valioso, então irei embora porque não me amas.
O meu mais secreto desejo foi sempre o mais sórdido dos fetiches, ter alguém que fosse dependente de mim, que suplicasse pelo meu toque, pelo meu cheiro, pelo meu sabor. Que se humilhasse perante mim e disfrutasse de um prazer sem limites nas minhas mãos. O meu sonho era controlar um ser humano.
O tempo mostrou-me que eu era apenas uma alma abandonada. Abandonada de si, não abandonada pelos outros, porque se não furgirmos de nós próprios existirá sempre alguém ao nosso lado. Só se deseja uma relação assim quando não existe uma auto-valorização, um amor próprio substancial, pois quem é completo não procura ser o deus de ninguém. (Será Deus completo?)
Após a separação encontrei-me perdido, tal como tu. Não me digas que sofreste muito mais que eu, porque é mentira. Apenas sofreste uma dor diferente, a da rejeição, que fere aqueles que não se amam o suficiente. Quanto a mim, senti a debilidade da minha existência, a inutilidade do meu ser, a minha falta de importância neste mundo, de que andei alheado. Ainda assim os dois sofrimentos tiveram em comum uma coisa, a desilusão. A minha fui eu próprio, e a tua fui eu também.
Voltei a repetir-me. Parece que gosto mesmo da fatalidade que é o fim de uma relação. Aquelas palavras carregadas de raiva e lágrimas que são atiradas ao outro como a derradeira machadada, a tentativa desesperada de magoar, de destruir quem não nos quis. Ridículo. Dos desejos irracionais que o homem sente mais intensamente, a vingança é o mais ridículo.
Agora que nos separámos vejo-te sentada ao piano. Vais tocando parte de uma qualquer sinfonia de um grande compositor de outro século, e eu escuto com atenção. Nem sabia que tocavas piano, nem nunca te vi tão calma, tão angelical. As grandes decisões tomam-se sentando ao piano.
É agora que terás de aprender a viver sem mim, sem este esconderijo do mundo que eu era. Não é saudável termos como único motivo de felicidade uma pessoa, abandonarmo-nos a uma dependência emocional e física. Se me disseres que nada mais existe na tua vida que seja valioso, então irei embora porque não me amas.
O meu mais secreto desejo foi sempre o mais sórdido dos fetiches, ter alguém que fosse dependente de mim, que suplicasse pelo meu toque, pelo meu cheiro, pelo meu sabor. Que se humilhasse perante mim e disfrutasse de um prazer sem limites nas minhas mãos. O meu sonho era controlar um ser humano.
O tempo mostrou-me que eu era apenas uma alma abandonada. Abandonada de si, não abandonada pelos outros, porque se não furgirmos de nós próprios existirá sempre alguém ao nosso lado. Só se deseja uma relação assim quando não existe uma auto-valorização, um amor próprio substancial, pois quem é completo não procura ser o deus de ninguém. (Será Deus completo?)
Após a separação encontrei-me perdido, tal como tu. Não me digas que sofreste muito mais que eu, porque é mentira. Apenas sofreste uma dor diferente, a da rejeição, que fere aqueles que não se amam o suficiente. Quanto a mim, senti a debilidade da minha existência, a inutilidade do meu ser, a minha falta de importância neste mundo, de que andei alheado. Ainda assim os dois sofrimentos tiveram em comum uma coisa, a desilusão. A minha fui eu próprio, e a tua fui eu também.
Voltei a repetir-me. Parece que gosto mesmo da fatalidade que é o fim de uma relação. Aquelas palavras carregadas de raiva e lágrimas que são atiradas ao outro como a derradeira machadada, a tentativa desesperada de magoar, de destruir quem não nos quis. Ridículo. Dos desejos irracionais que o homem sente mais intensamente, a vingança é o mais ridículo.
Agora que nos separámos vejo-te sentada ao piano. Vais tocando parte de uma qualquer sinfonia de um grande compositor de outro século, e eu escuto com atenção. Nem sabia que tocavas piano, nem nunca te vi tão calma, tão angelical. As grandes decisões tomam-se sentando ao piano.
Assinar:
Postagens (Atom)